Perfil

Minha foto

Historiadora/Professora de História e para sempre estudante. 

Seguidores

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Ao Anjo


Quarto

Bendito daquele que te deixou escapar dos céus
Deve este maldizer, a contar dias da sua ausência
Falta fará lá como fazes a mim esse doce sorriso?
Esse olhar que me faz perguntar se pro céu me levas 
Ou pro inferno de me pecado me deixarás?
Este corpo! Ah! Este corpo que pulsa como parte do meu próprio
Não me parece tão angelical em meio aos nosso suores
Nem os sussurros, nem os gemidos
Tampouco as mãos brincalhonas que me exploram...
Não fosse por seu coração poderia duvidar de sua origem divina
Está certamente acima do céu e do inferno o que me desperta.
                                  
                                                                         Dizzara

Bom, certamente não sou deitada a fazer poesias, e o Blog tem tido um gosto racional, no entanto há exceções. Esta por exemplo, sonhei com essas palavras, há uns dois meses, acordei de madrugada comecei a escrever, pela manhã na Universidade terminei,  o nome a posteriori, uma incógnita pra vcs e agora está aí, publicada. Evidente que direcionada a um anjo, mas sintam-se a vontade...

Att.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Corpo II - Que canta e dança

      Pelo visto estou em onda de fazer posts seriais, mas assuntos me chamam a atenção serialmente, e postar no mesmo dia duas vezes é pra compensar um dos posts que desgostei ...

Expostas as armadilhas da postagem vamos ao assunto que tá me enchendo a timeline e paciência: Miley Cyrus VMA :

Aos comentários que já li:

- Está com a bunda mole
- Em decadência
- Age que nem um prostituta


     Qualquer um deles é apenas o reflexo de uma sociedade que é capaz de se mobilizar em prol da defesa de "moral e bons costumes", mas não se assusta enquanto crianças morrem sufocadas com armas biológicas. Veja bem, não se trata de um juízo de valor dos que discursam, mas uma análise desconstrutiva do que a sociedade, hipócrita, que tem se preocupado exacerbadamente com futilidades.
      Dando continuidade ao pensamento da parte I , o corpo pertence à Cyrus, ali não se viu nudez, mas gestos que incitavam a prática do sexo, blog e notícias descrevem a imagem da forma mais degradante possível, tornando a cena mais constrangedora após a leitura dos comentários. Claro que me constragi, depois de ver os comentários supra citados, me senti ofendida por anularem ali a personagem do palco e julgá-la como louca, classificá-la como objeto dentro do discurso patriarcalista de controle " a mulher deve se valorizar mais"
        Sim a mulher deve se valorizar não se calando, seu corpo é por muitas vezes sua voz. O que vejo é o que Foucalt já dizia em A Ordem do Discurso, no qual, o discurso do louco e da sexualidade são excluídos, não debatidos, rechaçados pela sociedade, e quando debatidos ganham esse tom jocoso e humilhante, eis o que me envergonha.
      Outro incômodo são os referenciais, quando aprenderemos que não são universais? Nem de beleza, nem de sucesso, em outra via aprender o respeito pela individualidade que por trás daquele personagem Miley Cyrus, que deve ser resguardada.
  
Então o que fazer? Mobilizar apenas por causas sócio-econômicas. Deixar a Britney Cyrus em paz? Não tenho uma fórmula. Mas que tal pensar antes de sair emitindo juízo de valor em meio mundo, ter opinião formada sobre tudo? Pensar, se é o que vc quer dizer, se é o que foi levado a dizer, se é apenas um impulso e se refletiu sobre? 

Sei que estes posts com tom de mãe-dando-bronca deixam muita gente chateada, mas é o que tem pra hoje... com carinho.


* Sobre a acusação de prostituta devo gerar um post apenas pra isso.

Conto Parte IV - Mudanças

       Viajou. No aeroporto um cavalheiro segurava o nome da agência em um A4. Não se lembrava como ali fazia frio, não mais frio de onde tivera o primeiro encontro com Ele...estava ela novamente se deixando levar pelas lembranças Dele, e de quando estavam juntos. Ajeitou suas malas,  e entrou no carro com seus colegas.
       Olhando pela janela pôde ver que a cidade parecia morta, seus prédios eram frios, tornavam a cidade menos humana, em pleno meio-dia quem caminhava pelas ruas certamente estavam trabalhando, correndo com seu almoço para voltar a tempo de adiantar o serviço ou de tirar um cochilo.
       Voltou seus olhos para os integrantes do carro, seus colegas formavam certamente um belo casal, viviam um romance as escondidas, ela sempre fizera vistas grossas a esse tipo de relação, mas notara desde o primeiro dia em que contratou o jovem , as olhadas rápidas, tímidas, depois piscadelas, toques breves entre ele e quem considerava a sua mais fiel funcionária. Não sabia explicar muito bem, mas tinha um enorme carinho pelos dois.
       Chegando ao Hotel não teve tempo de se acomodar, logo no hall encontrou-se com o Sócio que já lhe propôs uma conversa pré-reunião. Como odiava essas conversas cheias de barganhas, seguiu-o até um sala reservada ali mesmo.
       Ao entrar encontrou ali uma mulher e um homem, a mulher reconhecera como outra sócia, minoritária, o homem nunca tinha visto. Foram direto ao assunto, com a venda da parte desta mulher , o Sócio não seria mais um minoritário, mas dividiria com ela a empresa quase em igualdade, obtendo ele cerca de 45% de todas as ações da Revista.
Visão turva. Flashs. Vendera parte das ações por precisar do dinheiro naquela época, um dia queria comprá-las, mas tinha pouco tempo para negócios como esses, precisaria de uma ajuda agora, mas quem?



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O Corpo


Dando uma pausa no conto. Queria tratar de algo que tem me inquietado: corpos.

      Quem  já teve a oportunidade de entrar nessa assunto comigo sabe que sou àquela que se incomoda com os tabus que giram em torno do que é natural, falo exatamente da imagem, dos corpos, da estigmatização do pecado na nudez, quando que nossos corpos não passam de uma arte divina.
       Oras, quanto medo, terror em torno dos genitais, quanta repulsa e quanta opressão, são corpos, são para ser amados, sobretudo por si. Não são apenas reprodutores, ou objetos para modelação segundo o padrão da sociedade, seu corpo é você, sua identidade, é o seu " sim", é o seu "não".
        Neste ponto - e não direi que em 100% ,pois não conheço todas as causas - sou completamente a favor da Marcha das Vadias. Uma mulher sair semi-nua ou nua dizendo  "este é o meu corpo" é a mensagem mais significativa que uma mulher pode passar nos temos de hoje.
        Mulheres, minhas amadas, nem a mídia , nem o mercado e muito menos um homem pode manipular seu corpo sem seu consentimento, sem que você deseje, sem que você permita. Manifeste-se. Hoje já se fala em estupro conjugal, nem um namoro ou casamento dá direito a um homem te tocar sem seu consentimento, se acontecer, Delegacia da Mulher, não se sujeite.
        Homens, meus queridos, vocês também não são obrigados a nada para provar sua heterossexualidade, na verdade nem deveriam se preocupar com isso. Sintam, falem, não tenham vergonha, não deixe que a sociedade os pressione a ter um número de conquistas. Homens e Mulheres, não se deixem levar por esses modelos noveleiros, muitos vão contra o que desejamos, vão contra quem somos. Não temam quem são, não temam seus próprios corpos, descubram-se e não encubram-se.



segunda-feira, 22 de julho de 2013

Conto Parte III - Negócios

    Antes que decidisse o que faria daquele pedaço de papel, alguém bateu em sua porta. Rapidamente pôs se de pé, puxou a carta e a corrente para dentro de uma gaveta, não gostava que as pessoas se envolvessem ou especulassem sobre seus sentimentos, por isso vivia sozinha por tanto tempo, desde que seus pais faleceram.
    Verificou se estava vestida com as roupas que mantinham sua imagem impecável de mulher de negócios, dura com seus funcionários, dura consigo, e caminhou até a porta. O coração acelerava a cada passo, poderia ser ele? Bateram mais um vez na porta. Não, a batida era suave, ele tinha uma batida firme, forte.
      Ela acertou, abriu a porta e diante dela estava o porteiro, melhor amigo desde que se mudara para aquele prédio, pessoa com que mais mantinha o mais próximo de um contato pessoal, sobre o tempo... choveria aquele dia? Sobre como a vida passava rápida nos dias de hoje...
     Trazia contigo as contas do mês e talvez um pouco de carência, uma imensa vontade de conversar, contar como suas filhas, duas pequenas, estavam no colégio, como a esposa andava adoentada, mas ao entardecer a portaria era muito requisitada, um prédio com seus quinze andares parecia criar vida perto do pôr do sol, e só morreria de novo com o apagar da última luz, aquela luz era a dela. O porteiro voltou para seu posto.
     Já na sala, em meio as correspondências, uma  se destacou, trazia um convite, se não uma intimação -assim são os convites desagradáveis - para uma viagem à negócios. Um dos sócios da revista necessitava vê-la, requisitava destacamento de pessoal para cobertura de um de seus eventos e outro assunto sobre sua participação nos lucros, o que certamente poderia ser resolvido em vídeo conferência ou mesmo o convite enviado por e-mail, mas este um homem conhecido por sua maneira rude de falar de negócios e completa ineficácia com as novas mídias.
     Deveriam partir na manhã seguinte, deu os telefonemas, dois colegas a acompanharia com todo equipamento necessário para não mais que um fim de semana. Não gostava de sair assim da rotina, eram tantas mudanças...lembrou-se da gaveta, mas a única carta que lhe interessava agora era a que lhe fazia uma mulher de negócios. Apagou as luzes, teria um longo fim de semana.



sábado, 20 de julho de 2013

Conto Parte II - A Carta

   Esperou dias e noites com aquela corrente nas mãos. Por que ele voltara? Depois de tanto tempo... para tirar-lhe a paz, certamente. Nunca estivera contigo em seus momentos mais importantes, mais difíceis ou mais alegres, embora os mais alegres talvez ele fosse a principal razão deles, mas, oras! Como chegara a esta conclusão tola?!
   Arrastou a cadeira, pôs a corrente do lado e começou a escrever um carta, que certamente jamais enviaria:

Querido,
Prezado,
Meu caro,

Com que direito vem tomar posse de mim? Por muitos anos vivi muito bem sem ti, mas agora não sai dos meus pensamentos, nem dos meus lábios. Sua eterna promessa de volta em todos esses anos me aflige, me escraviza. Adoça meu coração com promessas vazias, depois parte fazendo me sentir uma serviçal de seu ego.
Com que direito faz me sonhar com um futuro que seremos uma só poesia? Se não pode dedicar me um só verso em seu tempo... ah o tempo, precioso tempo que me acusa de roubar, quando o que apenas quero é uma palavra de carinho...Não! Não precisa ser nem um gesto! Uma palavra que me faça importante, especial em sua vida, me bastaria, tola de mim!
Com que direito eu reivindico esse lugar? Com o direito daquela que sempre esteve ao seu lado ainda que fisicamente ausente, que tantas noites perdeu acordada pensando em que o tempo fez com seus olhos, o que a vida fez com seus pensamentos. Com o direito daquela que apenas quis ser sua companheira e amiga, mas não lhe bastou.
Apenas volte logo, venha tirar minha paz, meu sono, meu sossego, minha imaginação. Busque o que deixou: minha pele ardente, meu peito palpitante e a lembrança dessa corrente maldita. 


Te Espero


Sua Amante
Sempre Sua

   Estava escrita, mas e agora, o que faria daquela carta? Deixaria sobre a porta da casa dele, se é que ele ainda estava no mesmo lugar. Desejava ela que não, não queria saber onde morava, por onde ele andava, com quem, o que fazia. Queria tanto esquecê-lo que fazia questão de lembrar se disto todos os dias.
  Publicaria nos jornais da cidade? Em um outdoor? uma tatuagem? A última carta que prometera se perdeu nas umidades de uma gaveta de seu quarto, mas essa carta seria diferente, alguém deveria saber, decidiu que guardaria na memória, nunca se esqueceria
    Não se esqueceria da história que tiveram, de tudo que passaram, mas naquele momento só queria lembrar que, se ele voltasse, estaria preparada, estava traçado seu modus operandi: viria novamente doce, como brisa, e ela o desejaria mais que qualquer sonho que tivera na vida, mas deveria se preparar, pois o nome dele era Liberdade e mais uma vez ele partiria, levando mais uma parte dela consigo...ah, suspirava ela, a Liberdade... teria sido isso que os uniram um dia?




quarta-feira, 17 de julho de 2013

Conto Parte I - A Corrente

Ela não viu ele se aproximar, mas estava segura pelo seu toque quente, mais uma vez em seu abraço. Sussurrou:

- És minha. Sei, como teu pulso acelera, tua respiração arqueja, teu corpo treme. Tua pele e a minha se tornam juntas uma só poesia...

Quando fechou os os olhos, ficou frio novamente, percebeu que ele não estava mais lá. Teria sonhado? Certamente não. Estava sobre a mesa a corrente que trazia em seu peito, um dia retornaria...



(Arte de Chairim.com.br - Caravaggio)








sexta-feira, 21 de junho de 2013

Manifestando-se

Atenção esse post apresenta opiniões pessoais, portanto abertas a discussão, bem como os anteriores


     À esta altura do campeonato está claro que não são por centavos. É por Justiça , Segurança, Educação, Transporte, Saúde bem investidos, o estádio e o aumento da passagem são o estopim. Até aqui nada de novo.
      O debate tem fervido quanto a violência, a Polícia Militar, o que será feito depois, os partidos e suas bandeiras, pois bem digo-lhes, está na hora de sentar e colocar em pratos limpos que não há consenso, não haverá, mas deve existir respeito, um ponto para diminuição de conflitos internos...
      Não há sentido em destruir patrimônio histórico, afinal, ele nos pertence, e não ao Governo, devemos tomar posse dele , cuidando-o certo? Mas não há porque não usar de ovos ou vaias, de nada adiantará jogar pedras na  Polícia, acredite, balas de borracha é o mínimo que eles podem oferecer, não existe um foco nessa troca de agressões, a PM, bem como o povo possuem o mesmo problema: o Governo, se eles não podem se unir, que não os tornemos pedra nos nossos sapatos...
      Quanto aos partidos, eles podem ajudar, em apoio na TV, em outros veículos, porque não? Quando tiverem representantes no Congresso ou no Senado sintam-se a vontade, mas que não usem o povo como escada de suas candidaturas... sim, sim, sei que ainda sem bandeira, muitos do Movimento Passe Livre poderão galgar a política, mas que seja sem bandeira, e sim estou indo pelo senso comum, porque é do povo com senso comum que precisamos do nosso lado agora, não apenas do intelectualizados que sabem separar as bandeiras da corrupção... estamos todos cansados de partidos, e agora tomamos o nosso partido, simples.
     Sejamos razoáveis com a opinião dos outros, somos milhões, mas não razoáveis na luta, o revide deve ser feito com, sobretudo, persistência e esperteza, vamos nos manter em alerta. Não pôde ir a manifestação? Faça cartazes, libere Wi-Fi, fale, comente, dê esperança e tenha esperança, já estamos mudando. Não concorda com a Manifestação, respeite, pois se você realmente não acredita,  nada irá afetá-lo, o que é uma passeata se o trânsito já não anda lá essas coisas? Na timeline continue compartilhando gatinhos e indiretas, cancele os feeds se não quer excluir os amigos, bem esteja à vontade ... isso é uma democracia .


PS.: Por favor, chega de História cíclica, de " lá vem mais uma Ditadura Militar", ou " Isso é fascismo" vamos estudar História, verificar os contextos, me matem de vergonha não - não isso não é passivo de negociação!
quarta-feira, 5 de junho de 2013

Canção da Terra - O Teatro Mágico


Tudo aconteceu num certo dia
Hora de ave maria o universo vi gerar
No princípio o verbo se fez fogo
Nem atlas tinha o globo
Mas tinha nome o lugar
Era terra, terra
E fez, o criador, a natureza
Fez os campos e florestas
Fez os bichos, fez o mar
Fez por fim, então, a rebeldia
Que nos dá a garantia
Que nos leva a lutar
Pela terra, terra
Madre terra nossa esperança
Onde a vida dá seus frutos
O teu filho vem cantar
Ser e ter o sonho por inteiro
Ser sem-terra, ser guerreiro
Com a missão de semear
À terra, terra
Mas apesar de tudo isso
O latifúndio é feito um inço
Que precisa acabar
Romper as cercas da ignorância
Que produz a intolerância
Terra é de quem plantar
À terra, terra
terça-feira, 4 de junho de 2013

Para Posteridade

      Escrevo. Na Angústia ou na Euforia. Na Alegria e na Solidão... corrigindo, aquele que escreve nunca está só, tem a companhia de seus pensamentos de suas palavras, talvez a Insegurança... isso Insegurança, talvez seja uma palavra mais adequada. A Insegurança dos dedos que se movem no teclado, tateando os pensamentos, em busca do sentimento certo, o pensamento certo, para que aqui seja tudo exprimido, para que aqui, o parágrafo, o discurso, seja seguro.
     Ainda no devaneio de sonhos prossigo, na eterna renúncia e anunciação, quando ainda o passado bate a porta e traz rosas e espinhos, e percebe-se que há certos fatos na vida de que não adianta fugir, eles fazer parte de você, e por outro lado, pessoas as quais você sempre irá ao encontro. Se há anos não me preocupava mais com quem eu era, me pergunto hoje, até que ponto fatos e pessoas tornam quem eu sou? Seria a imagem que outros tem de mim, afinal de contas? Sou fruto da alteridade e ponto final? Ou ainda do julgamento prévio da sociedade e pronto? O que faz desse blog apenas mais um bloco de notas perdido em meio a web...
      Sou como qualquer indivíduo reivindicando seu lugar especial na História, não querendo ser massa, se colocando como exceção em sua auto-biografia, mas poderia eu em tamanha petulância almejar que isto seja  possível? Sou apenas mais uma perseguidora de sonhos, que ainda se sente muito pequena, mas com braços gigantes para abraçar o mundo, que é capaz de tremer diante da ansiedade de um encontro, mas ser firme na necessidade de sê-lo. Capaz de reconhecer o vazio das palavras e dos gestos, da encenação nas intenções utilitaristas, mas também a intensidade de um sentimento, que algumas vezes pode não se aflorar, naquele momento em mim, mas que é sem dúvidas muito real e sempre será.
      Sente eterna saudade da boa amizade, que ainda longe, aqueceu sempre o coração na lembrança do momento divertido e do momento choroso. E tem a esperança de que tudo sempre fique bem, que o sorriso não desapareça, e que contagie, mesmo nos dias difíceis, que não seja mal interpretado... a vida já se sabe é breve, deve-se haver um esforço para ser leve...
      Ainda que não confie em muitos, ainda que tema a maldade do mundo,ainda que não se sinta na sintonia do que anda errado por aí e isso te angustie, ainda que aguente humilhações, ainda que sinta-se algumas vezes só nessa luta, ainda que este mesmo mundo queira te fazer mais um... que seja mais um que faça bem aos outros, se não pode doar uma cesta básica, doe um sorriso, um bom dia, um obrigado. Se tiver que abraçar o mundo, abrace com carinho e deseje que essa mensagem , sua mensagem... não seja apenas mais uma que estará perdida...insegura... dê-lhe a segurança de torná-la real.


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Sob(re) Sonhos

        Um Sonho e uma única Espada, talvez nisso não concorde com Kentaro Miura ao colocar essas palavras na boca do personagem Griffith do anime Berserk. Hoje vejo UM SONHO realizado, mas foram tantos outros abandonados que se existe uma frase do anime que me toca nesse momento é que “ mesmo abandonado por esse sonho ele ainda arderá no fundo do seu peito”, esses sonhos me afoguearam por quatro anos, por mais que tenham me abandonado, ou eu os tenha abandonado, o fato é que não existe uma única espada, por mais que a História hoje represente minha carreira, meus estudos e a representação do que muito sacrifiquei, me pergunto: mas e os outros sonhos, não maiores e nem menores uns que os outros mais todos gigantesco comparados a mim que foram feitos? Eles chiam, rasgam meu peito, clamam por atenção exatamente agora, se a História e minha história um dia os calou e agora como os fazer calar? E eu quero que calem?
        São alguns deles a música, a dança, o cosplay, a escrita, que, outrora adormecidos, se tornaram agora um insaciável monstro, a Quimera do Sonho, são tantos que não serão mais despertos pois passaram de sua hora...é uma pena, quando se sacrifica, quando percebemos que é necessário que a vida e a morte caminhem todos os dias juntos, todo dia se mata algo em si, todo dia se dá vida em algo novo, e ao mesmo tempo uma luta sua contra si próprio para decidir o que permanece...o que se perde...aaah o sonho.
          O blog um sonho que lentamente adormeceu, aos poucos, em meio a desculpas, agora abriga este post que pode ser o primeiro de muito ou seu último suspiro... meu abandona(mado) blog, pensado com carinho, para leitores sem rosto, uma escritora sem rosto, que aos poucos se imprimiu, desse jeito torto de ser, bem torto do cerrado, um tanto imprevisível, um tanto abobada, mas sincera e com o carinho que muitas vezes tenho dificuldade em demonstrar em palavras ditas. Dessa minha parte que escreve, bem ou mal, mas escreve, há muito mais tempo que o blog pode datar, contos que jamais serão lidos, e agora esse diário de angústia e músicas ecléticas e clichês.
       O blog que em algum momento esteve elevado ao acadêmico até que percebi que a acadêmia não é uma evolução, uma elevação, é apenas um modo diferente de ver as mesmas coisas, menos alienado , todos dizem... não, não estou desprezando aqui aqueles que trato por mestres (que por sinal não está ligado aos seu títulos, mas ao meu carinho e respeito), mas é justo que agora que sei que depois da monografia não existe um portal da sabedoria... digo, a pessoal mais incrível que conheci , espelho da minha vida era completamente analfabeta , de gostos simples, de humildade. Não encontrei valor igual na Universidade, a sabedoria reside na simplicidade.
       Valorizo tudo que aprendi, gosto dos estudos, amei ter estudado, não apenas pelo conteúdo, mas por ver um horizontes com portas abertas de mais conhecimento adiante, não mais teorias, mas a possibilidade de conhecer mais mundos, mais pessoas, sou meio assim, torta, do cerrado, com raiz pouco profunda, querendo migrar, ampliar, horizontalizar...
Sou horizontal. Toco baião em piano porque quero e porque posso, e prepare seus ouvidos pois não toco maravilhosamente bem! Oras aprendi teclado! Se pegar um piano já procuro a bateria...tá aí um sonho substituído, o piano pelo teclado, piano é muito caro, o instrumento e as aulas... minha mãe diz que tudo é substituível nessa vida, não gosto dessa ideia, me dá uma sensação de descartabilidade... ela nunca será substituída, ninguém será, todos são diferentes na vida da gente. Até meu assunto é horizontal, voltando ao teclado...
       Então, eu toco. Era só isso mesmo, tem tantos anos que não faço isso, meu teclado está a tanto tempo encostado que a única coisa que ficou é uma parte da teoria de ler partitura e o ouvido, eu era muito boa em pegar as notas escutando uma música, fiz isso com Perfídia, mas acredite isso não é bem vindo nas escolas de música: leitura rítmica etc etc, nada de ouvir e tocar!
E a dança, é de sangue. Poderia dizer que sangue espanhol da parte do meu pai, mas não tem fundamento já que quem me ensinou a dançar foi minha mãe que veio seiládeonde (tem uma história que fala que meu sobrenome materno ou é da Itália ou da Escócia- fico com a segunda opção – tataravô com whisky e kiut me parece bom), ou é dom mesmo: forró, dança do ventre, qualquer ritmo, um sonho? Flamenco...eu sinto como se já tivesse dançado flamenco a vida toda...
       O Cosplay nem comento muito aqui, ele vem de uma veia teatral unida ao meu gosto pelas figuras ternas dos desenhos/animes, games, filmes, o cosplay não é só teatro, ele é uma homenagem a quem você gosta, é nostálgico, o processo de você mesmo confeccionar a mínima peça que for é uma sensação deliciosa. Artesanato, teatro e sua infância misturados... é necessário disciplina e organização, deveria ser tema de estudo isso aí!
        Tem aqueles sonhos que morreram, enterrados, não valem comentário, cumpriram a função de serem desejados e planejados, em respeito a sua morte: o silêncio. Outros sonhos aqueles que Griffith lembra que, são perseguidos por mais de uma pessoa, permanecem até que sejam possíveis e/ou realizados. E assim como o vilão da série Berserk devo concordar em odiar a visão de que a “vida é viver muito e morrer em vão”, hoje vivo pelos sonhos, sonhos me movem, se os mato me matam um pouco, mas se os dou voz, aaah quão viva me sinto, na minha pequenez, quero persegui-los, todos...