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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Corpo II - Que canta e dança

      Pelo visto estou em onda de fazer posts seriais, mas assuntos me chamam a atenção serialmente, e postar no mesmo dia duas vezes é pra compensar um dos posts que desgostei ...

Expostas as armadilhas da postagem vamos ao assunto que tá me enchendo a timeline e paciência: Miley Cyrus VMA :

Aos comentários que já li:

- Está com a bunda mole
- Em decadência
- Age que nem um prostituta


     Qualquer um deles é apenas o reflexo de uma sociedade que é capaz de se mobilizar em prol da defesa de "moral e bons costumes", mas não se assusta enquanto crianças morrem sufocadas com armas biológicas. Veja bem, não se trata de um juízo de valor dos que discursam, mas uma análise desconstrutiva do que a sociedade, hipócrita, que tem se preocupado exacerbadamente com futilidades.
      Dando continuidade ao pensamento da parte I , o corpo pertence à Cyrus, ali não se viu nudez, mas gestos que incitavam a prática do sexo, blog e notícias descrevem a imagem da forma mais degradante possível, tornando a cena mais constrangedora após a leitura dos comentários. Claro que me constragi, depois de ver os comentários supra citados, me senti ofendida por anularem ali a personagem do palco e julgá-la como louca, classificá-la como objeto dentro do discurso patriarcalista de controle " a mulher deve se valorizar mais"
        Sim a mulher deve se valorizar não se calando, seu corpo é por muitas vezes sua voz. O que vejo é o que Foucalt já dizia em A Ordem do Discurso, no qual, o discurso do louco e da sexualidade são excluídos, não debatidos, rechaçados pela sociedade, e quando debatidos ganham esse tom jocoso e humilhante, eis o que me envergonha.
      Outro incômodo são os referenciais, quando aprenderemos que não são universais? Nem de beleza, nem de sucesso, em outra via aprender o respeito pela individualidade que por trás daquele personagem Miley Cyrus, que deve ser resguardada.
  
Então o que fazer? Mobilizar apenas por causas sócio-econômicas. Deixar a Britney Cyrus em paz? Não tenho uma fórmula. Mas que tal pensar antes de sair emitindo juízo de valor em meio mundo, ter opinião formada sobre tudo? Pensar, se é o que vc quer dizer, se é o que foi levado a dizer, se é apenas um impulso e se refletiu sobre? 

Sei que estes posts com tom de mãe-dando-bronca deixam muita gente chateada, mas é o que tem pra hoje... com carinho.


* Sobre a acusação de prostituta devo gerar um post apenas pra isso.

Conto Parte IV - Mudanças

       Viajou. No aeroporto um cavalheiro segurava o nome da agência em um A4. Não se lembrava como ali fazia frio, não mais frio de onde tivera o primeiro encontro com Ele...estava ela novamente se deixando levar pelas lembranças Dele, e de quando estavam juntos. Ajeitou suas malas,  e entrou no carro com seus colegas.
       Olhando pela janela pôde ver que a cidade parecia morta, seus prédios eram frios, tornavam a cidade menos humana, em pleno meio-dia quem caminhava pelas ruas certamente estavam trabalhando, correndo com seu almoço para voltar a tempo de adiantar o serviço ou de tirar um cochilo.
       Voltou seus olhos para os integrantes do carro, seus colegas formavam certamente um belo casal, viviam um romance as escondidas, ela sempre fizera vistas grossas a esse tipo de relação, mas notara desde o primeiro dia em que contratou o jovem , as olhadas rápidas, tímidas, depois piscadelas, toques breves entre ele e quem considerava a sua mais fiel funcionária. Não sabia explicar muito bem, mas tinha um enorme carinho pelos dois.
       Chegando ao Hotel não teve tempo de se acomodar, logo no hall encontrou-se com o Sócio que já lhe propôs uma conversa pré-reunião. Como odiava essas conversas cheias de barganhas, seguiu-o até um sala reservada ali mesmo.
       Ao entrar encontrou ali uma mulher e um homem, a mulher reconhecera como outra sócia, minoritária, o homem nunca tinha visto. Foram direto ao assunto, com a venda da parte desta mulher , o Sócio não seria mais um minoritário, mas dividiria com ela a empresa quase em igualdade, obtendo ele cerca de 45% de todas as ações da Revista.
Visão turva. Flashs. Vendera parte das ações por precisar do dinheiro naquela época, um dia queria comprá-las, mas tinha pouco tempo para negócios como esses, precisaria de uma ajuda agora, mas quem?



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O Corpo


Dando uma pausa no conto. Queria tratar de algo que tem me inquietado: corpos.

      Quem  já teve a oportunidade de entrar nessa assunto comigo sabe que sou àquela que se incomoda com os tabus que giram em torno do que é natural, falo exatamente da imagem, dos corpos, da estigmatização do pecado na nudez, quando que nossos corpos não passam de uma arte divina.
       Oras, quanto medo, terror em torno dos genitais, quanta repulsa e quanta opressão, são corpos, são para ser amados, sobretudo por si. Não são apenas reprodutores, ou objetos para modelação segundo o padrão da sociedade, seu corpo é você, sua identidade, é o seu " sim", é o seu "não".
        Neste ponto - e não direi que em 100% ,pois não conheço todas as causas - sou completamente a favor da Marcha das Vadias. Uma mulher sair semi-nua ou nua dizendo  "este é o meu corpo" é a mensagem mais significativa que uma mulher pode passar nos temos de hoje.
        Mulheres, minhas amadas, nem a mídia , nem o mercado e muito menos um homem pode manipular seu corpo sem seu consentimento, sem que você deseje, sem que você permita. Manifeste-se. Hoje já se fala em estupro conjugal, nem um namoro ou casamento dá direito a um homem te tocar sem seu consentimento, se acontecer, Delegacia da Mulher, não se sujeite.
        Homens, meus queridos, vocês também não são obrigados a nada para provar sua heterossexualidade, na verdade nem deveriam se preocupar com isso. Sintam, falem, não tenham vergonha, não deixe que a sociedade os pressione a ter um número de conquistas. Homens e Mulheres, não se deixem levar por esses modelos noveleiros, muitos vão contra o que desejamos, vão contra quem somos. Não temam quem são, não temam seus próprios corpos, descubram-se e não encubram-se.