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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Helio de La Peña, Danilo Gentili, MP e o Preconceito




O que mais movimentou o Twitter essa semana, além do #Forçamassa, é a piadinha mal-sucedida do repórter Danilo Gentili. O comentário fazendo uma comparação sutil entre King Kong e jogadores de futebol gerou polêmica suficiente para garantir um post de protesto de Hélio De La Peña e até uma possível investigação do Ministério Público à respeito se houve ou não um comentário racista do integrante do CQC.

Ao dizer "Alguem pode me dar 1 explicacao razoavel pq posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa mas nunca um negro de macaco??" e "Agora no TeleCine KingKong, um macaco q depois q vai p/ cidade e fica famoso pega 1 loira. Quem ele acha q e? Jogador de futebol??", Gentili, acordou a fera da sociedade: a idéia sobre preconceito racial. Me admira, primeiro de tudo, esse tipo de preconceito ser chamado de racismo, afinal de contas só existe a raça humana, mas o que mais me preocupa é a hiprocrisia com a qual debatemos o assunto.
O engano disso tudo não é comparar negros ou jogadores de futebol ( que não são necessariamente palavras similares) à macacos, o maior é erro é chamar um Gordo de Baleia, um Gay de Viado e um Branco de Lagartixa, somos pessoas bem grandinhas e maduras para saber que tais comparações que, além de não serem mais tão divertidas, são ofensivas.

Sobre o preconceito há ainda um problema maior, no Brasil temos a mania de vitimizar todas as classes sociais, características físicas e/ou psíquicas se elas estão além do esperado pela sociedade. Negros não são dignos de dó ou peninha...Como escravos, foram guerreiros, não mataram de todo sua cultura, reinventaram-se e aguentaram com força até a libertação, então porque isso agora de pobres-coitados-vítimas-da-sociedade-branquela-e-cruel? Merecem respeito , mas não dó, assim como índios, imigrantes, brancos, negros, amarelos, obesos, bulêmicos, homossexuais, bissexuais, transgêneros, deficientes físicos, mentais, gente bonita, gente feia, e qualquer outra classificação que imaginar, porque é cada um de nós que sabemos o peso que carregamos, preconceitos que enfrentamos e batalhas que vencemos. O que vemos é uma sociedade pisando em ovos até mesmo nas conversas de bar, gente com medo de que até por apontar e dizer " a garrafa está ao lado daquele preto" seja presa por racismo, vivendo todos em uma pura fachada.

Fico decepcionada ao ver que um negro começa seu discurso achando ser correto essa prisão por chamá-lo de preto. Se deveria haver punição, esta deveria ser para as escolas que não cumprem a lei de ensinar cultura afro-brasileira em sala de aula e garantir a integração de todos os alunos, para governantes que desconsideram a necessidade de um deficiente físico, que diferentemente do negro, não lida só com um estigma mas com dificuldades palpáveis, para a saúde pública que dificulta as consultas e tratamentos para obesos, aos (ir) reponsáveis pelo apoio aos indígenas que têm que recorrer ao crime...

Não estou em defesa de La Peña, Gentili e muito menos do MP, mas não dá para tapar os olhos nem fazer tempestade em copo d'água, o preconceito existe, e está em todos nós, a solução não é eliminá-lo porque de alguma forma ele sempre existirá como forma de auto-preservação, deveríamos é nos preocupar em administrá-lo, e a palavra chave para isso é : RESPEITO.

MAIS SOBRE O ASSUNTO:
Blog de Hélio De La Peña
Blog de Danilo Gentili

Abçs


PS.: Aulas semana que vem, logo atualizações!
quinta-feira, 23 de julho de 2009

Vinícius de Moraes


Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

William Shakespeare


~ Soneto 96 ~

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça. Amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
È astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
quinta-feira, 9 de julho de 2009

Notícias pelo mundo: História

De Auschwitz, mensagem sobrevive em garrafa

REPRODUÇÃO/ MEMORIAL E MUSEU DE AUSCHWITZ-BIRKENAU
Lista de nomes de prisioneiros que permaneceu escondida durante 65 anos
A reforma de uma escola na Polônia acabou revelando um documento raro na história do Holocausto. Durante a obra foi encontrada uma velha garrafa escondida em uma parede. Dentro dela, um pedaço de papel de saco de cimento trazia uma lista de sete nomes, com seus respectivos números e indicação da cidade natal, e apenas uma frase: “Todos entre 18 e 20 anos”. O bilhete registra uma data: 20 de setembro de 1944.

Os nomes que aparecem no pedaço de papel são de prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz. Temendo não sair com vida dali, deixaram registrado quem eram, para que um sinal de suas vidas permanecesse.

Felizmente cinco dos sete listados saíram com vida da Segunda Guerra Mundial. Para o diretor do Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau, Piotr M. A. Cywiski, o valor documental do achado é grande, pois é uma das raras anotações deixadas pelos próprios prisioneiros, e não pelos nazistas.

A lista identifica seis poloneses e um francês. Três deles ainda estão vivos, segundo o levantamento feito pelo museu. O polonês Wacław Sobczak, que foi quem escondeu a garrafa, declarou a jornalistas que ele e seus colegas fizeram a lista porque achavam que não sobreviveriam. “Queríamos que alguma coisa de nós ficasse, nem que fosse apenas essa garrafa”, disse ele, revendo o objeto aos 85 anos.



Notícia retirada de http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/de_auschwitz_mensagem_sobrevive_em_garrafa.html