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sábado, 20 de julho de 2013

Conto Parte II - A Carta

   Esperou dias e noites com aquela corrente nas mãos. Por que ele voltara? Depois de tanto tempo... para tirar-lhe a paz, certamente. Nunca estivera contigo em seus momentos mais importantes, mais difíceis ou mais alegres, embora os mais alegres talvez ele fosse a principal razão deles, mas, oras! Como chegara a esta conclusão tola?!
   Arrastou a cadeira, pôs a corrente do lado e começou a escrever um carta, que certamente jamais enviaria:

Querido,
Prezado,
Meu caro,

Com que direito vem tomar posse de mim? Por muitos anos vivi muito bem sem ti, mas agora não sai dos meus pensamentos, nem dos meus lábios. Sua eterna promessa de volta em todos esses anos me aflige, me escraviza. Adoça meu coração com promessas vazias, depois parte fazendo me sentir uma serviçal de seu ego.
Com que direito faz me sonhar com um futuro que seremos uma só poesia? Se não pode dedicar me um só verso em seu tempo... ah o tempo, precioso tempo que me acusa de roubar, quando o que apenas quero é uma palavra de carinho...Não! Não precisa ser nem um gesto! Uma palavra que me faça importante, especial em sua vida, me bastaria, tola de mim!
Com que direito eu reivindico esse lugar? Com o direito daquela que sempre esteve ao seu lado ainda que fisicamente ausente, que tantas noites perdeu acordada pensando em que o tempo fez com seus olhos, o que a vida fez com seus pensamentos. Com o direito daquela que apenas quis ser sua companheira e amiga, mas não lhe bastou.
Apenas volte logo, venha tirar minha paz, meu sono, meu sossego, minha imaginação. Busque o que deixou: minha pele ardente, meu peito palpitante e a lembrança dessa corrente maldita. 


Te Espero


Sua Amante
Sempre Sua

   Estava escrita, mas e agora, o que faria daquela carta? Deixaria sobre a porta da casa dele, se é que ele ainda estava no mesmo lugar. Desejava ela que não, não queria saber onde morava, por onde ele andava, com quem, o que fazia. Queria tanto esquecê-lo que fazia questão de lembrar se disto todos os dias.
  Publicaria nos jornais da cidade? Em um outdoor? uma tatuagem? A última carta que prometera se perdeu nas umidades de uma gaveta de seu quarto, mas essa carta seria diferente, alguém deveria saber, decidiu que guardaria na memória, nunca se esqueceria
    Não se esqueceria da história que tiveram, de tudo que passaram, mas naquele momento só queria lembrar que, se ele voltasse, estaria preparada, estava traçado seu modus operandi: viria novamente doce, como brisa, e ela o desejaria mais que qualquer sonho que tivera na vida, mas deveria se preparar, pois o nome dele era Liberdade e mais uma vez ele partiria, levando mais uma parte dela consigo...ah, suspirava ela, a Liberdade... teria sido isso que os uniram um dia?




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