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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Conto Parte III - Negócios

    Antes que decidisse o que faria daquele pedaço de papel, alguém bateu em sua porta. Rapidamente pôs se de pé, puxou a carta e a corrente para dentro de uma gaveta, não gostava que as pessoas se envolvessem ou especulassem sobre seus sentimentos, por isso vivia sozinha por tanto tempo, desde que seus pais faleceram.
    Verificou se estava vestida com as roupas que mantinham sua imagem impecável de mulher de negócios, dura com seus funcionários, dura consigo, e caminhou até a porta. O coração acelerava a cada passo, poderia ser ele? Bateram mais um vez na porta. Não, a batida era suave, ele tinha uma batida firme, forte.
      Ela acertou, abriu a porta e diante dela estava o porteiro, melhor amigo desde que se mudara para aquele prédio, pessoa com que mais mantinha o mais próximo de um contato pessoal, sobre o tempo... choveria aquele dia? Sobre como a vida passava rápida nos dias de hoje...
     Trazia contigo as contas do mês e talvez um pouco de carência, uma imensa vontade de conversar, contar como suas filhas, duas pequenas, estavam no colégio, como a esposa andava adoentada, mas ao entardecer a portaria era muito requisitada, um prédio com seus quinze andares parecia criar vida perto do pôr do sol, e só morreria de novo com o apagar da última luz, aquela luz era a dela. O porteiro voltou para seu posto.
     Já na sala, em meio as correspondências, uma  se destacou, trazia um convite, se não uma intimação -assim são os convites desagradáveis - para uma viagem à negócios. Um dos sócios da revista necessitava vê-la, requisitava destacamento de pessoal para cobertura de um de seus eventos e outro assunto sobre sua participação nos lucros, o que certamente poderia ser resolvido em vídeo conferência ou mesmo o convite enviado por e-mail, mas este um homem conhecido por sua maneira rude de falar de negócios e completa ineficácia com as novas mídias.
     Deveriam partir na manhã seguinte, deu os telefonemas, dois colegas a acompanharia com todo equipamento necessário para não mais que um fim de semana. Não gostava de sair assim da rotina, eram tantas mudanças...lembrou-se da gaveta, mas a única carta que lhe interessava agora era a que lhe fazia uma mulher de negócios. Apagou as luzes, teria um longo fim de semana.



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