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segunda-feira, 30 de março de 2009

Resenha Crítica: Civilização e Divisão do Trabalho

Esse trabalho feito para a disciplina de História Antiga que é dada pelo Prof.: Welton, não é um dos meus preferidos, mas teve nota máxima, portanto, aqui está. Abçs. Maria Angélica



CIVILIZAÇÃO E DIVISÃO DO TRABALHO

A sociedade primitiva, uma vez sedentária, passou a produzir o suficiente para a sobrevivência de todo um grupo, houve ainda antes dessa época o que pode ser chamado de primeira divisão do trabalho feita por gênero, em que o homem era incumbido da caça enquanto que a mulher era a responsável pela plantação. Essa primeira divisão, no entanto, não é analisada como exploração, mas sim como prática necessária.

Ainda no início desse trabalho dividido entre gêneros, a produção era coletiva e distribuída de modo igual no grupo. Nessas sociedades os produtores eram donos dos produtos e também do processo de produção, os produtos estavam em suas mãos e era sabido do seu destino.

No entanto, é em um dado momento que essa produção começa a exceder-se, surge as apropriações individuais e, no excesso de produtos, o produtor passou a efetuar trocas e deter vantagens quando essas aconteciam, esse momento é chamado de produção mercantil. Os produtos então já não são controlados após a troca, é o momento em que o produtor se separa deste que agora é considerado uma mercadoria que estão entregues ao acaso.

Depois da chamada propriedade privada e da produção mercantil, a sociedade têm que se adaptar às condições criadas por tal. Surge a monogamia e a herança, e segundo Marx e Engels, aparece ainda submissão das mulheres aos homens, visto que os últimos que detinham o poder material. São criadas leis para controle dessas novas normas econômico-sociais que vão se modificando conforme as formas de produção.

Uma vez que os produtos são mercadorias, os homens decobrem ainda que a força de trabalho também é uma mercadoria. É nesse momento que surge os explorados e os exploradores, que serão chamados por Marx e Engels de classes Proletariada e classe Burguesa. A exploração da força do trabalho resulta na escravidão, na servidão na Idade média e no trabalhador assalariado na Moderna, sendo todas elas baseadas naquele princípio antigo da existência de uma classe explorada e em uma classe exploradora. “Mal os homens tinham descoberto a troca e começaram logo a ser trocados, eles próprios.” ( Engels).

Cria-se então a moeda acompanhada dos juros e do lucro, a propriedade privada de terra, a hipoteca, o trabalho escravo e o modelo familiar tal qual conhecemos. A oposição de campo e cidade forma-se como base da divisão do trabalho social e a herança, outrora comentada, garantia ás famílias que todo o acúmulo de riqueza fosse disposto mesmo após a morte.

O intuito da sociedade passa a se concentrar na riqueza e na individualidade, e automaticamente, todo e qualquer “benefício” criado se trata de benefícios para a burguesia e prejuízo para os proletariados, formando um progresso, um desenvolvimento que acontece em meio às contradições.

Engels diz que o sistema não deveria ser assim mas que “ O que é bom para a classe dominante deve ser bom para a sociedade” e ainda defende apoiado em Morgan, que o momento em que esse sistema de exploração vier a falência haverá “ uma revivescência da liberdade, igualdade e fraternidade das antigas gens, mas sob uma forma superior” ( Morgan).

APRECIAÇÃO CRÍTICA

É notável que a propriedade privada seja a vilã da divisão do trbalho feita de modo injusto. Adam Smith vai dizer que:

"Essa divisão do trabalho, da qual derivam tantas vantagens, não é, em sua origem, o efeito de uma sabedoria humana qualquer...Ela é conseqüência necessária, embora muito lenta e gradual, de uma certa tendência ou propensão existente na natureza humana...a propensão a intercambiar, permutar ou trocar uma coisa pela outra." (Adam Smith)

Marxistas ou não, são capazes de reconhecer que essa divisão é prejudicial à sociedade como um todo, é um ciclo infernal e coberto de maldade. A discussão que gera sobre o tema é se a Divisão de Trabalho tal qual conhecemos é ou não uma necessidade dentro da organização social. Oposto à idéia de Engels e Marx temos o sociólogo Émile Durkeheim, que acredita que a Divisão de Trabalho é sobretudo um modo de solidariedade que não pode ser evitado.

“Porque, como nada contem as forças em presença e não lhes atribui limites que sejam obrigados a respeitar elas tendem a se desenvolverem sem termos e acabem se entrechocando, para se reprimirem e se reduzirem mutuamente.” (DuRKEHEIM, VII:2004).

Para Durkeheim a divisão do trabalho e algo favorável porque ela propicia a solidariedade entre as pessoas conforme os conceitos de solidariedade contidos em sua teoria, já para Karl Marx a divisão do trabalho é totalmente negativa dado que desta advém a exploração da mão de obra ou seja a alienação do trabalhador.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ENGELS, Friedrich; MARX, Karl. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, Obras escolhidas, vol. 3. Rio de Janeiro: Editorial Vitória, 1963.

ADAM Smith. Época, vida, filosofia e obras de Adam Smith.

Disponível em:

Acesso em: 18 mar. 2009



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