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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Véspera/ Metade - Oswaldo Montenegro

Voltei de uma viagem à cidade histórica de Goiás, vale à pena passar o frio para conhecer tamanho patrimônio da humanidade repleta de história, contos e lendas. A visita ocorreu durante o Festival Internacional de Cinema Ambiental (XI FICA) dos dias 19 à 21 de junho.


Próximo agora às almejadas férias para descansar, se desligar da faculdade tem me chateado um bocado, ainda mais com iminente afastamento de pessoas de quem gosto muito, e aí vem a parte difícil da despedida e aquela sensação de que ainda faltou muito pra viver e pra dizer, mas deixando o egoísmo de lado, anseio apenas que a falta não mude o amor e distância não substitua a lembrança.

Falando em férias em julho vou dedicar o espaço do blog mais à músicas que à conteúdo propriamente dito ( como tenho feito ultimamente), devo postar aqui ao menos um dos trabalhos entregues para a segunda nota em breve, estou aguardando apenas o recebimento. Por hora vou deixar a dica de dois blogs : Um de uma ex-colega de profissão e amiga de quem sinto muito falta, a talentosa jornalista( e cantora) Aniele Cristine e de um jovem poeta que (desejo, torço e espero) em breve terá seus poemas publicados com louvor - Jean Carlos (O Link do blog foi retirado por motivos de segurança)


Concluindo, nada como encerrar a noite fria e sedutora com um poema de Oswaldo Montenegro :

Metade (Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.

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